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18/08/2007 00:00
Chengde – Os precursores da DisneyWorld
Caminhei os 500 metros que separavam os dois templos Puning e Putuo Zong Cheng por uma vereda bem rural. Uma senhora de bicicleta, com uma bolsa de milho cozido ainda quente, me ofereceu seu produto. Como estava quase na hora do almoço, aceitei. A espiga estava deliciosa e nem me incomodei com o cheiro de lixo e de esgoto.
No estacionamento de Putuo Zong Cheng, o número de ônibus de turistas chineses dobrou. Olhei para cima e, de longe, notei que o prédio tinha uma figura conhecida. Aproveitei para reler o livreto: o templo era uma réplica – quem diria – do palácio Potala, em Lhasa. O imperador Qianlong o concluiu em 1771 para celebrar o 80º aniversário de sua mãe e queria impressionar os nobres mongóis e tibetanos na ocasião do festejo.

Subi as longas escadarias, evitando os insistentes vendedores e o movimento de visitantes. Ao chegar no topo, vi que a cópia não era tão fiel assim. Todas as janelas do “Pequeno Potala” de Chengde eram de mentirinha, existiam apenas na pintura; os detalhes decorativos também eram falsos.
Mas a máquina de tirar dinheiro do chinês um pouco mais místico e supersticioso era um primor. Em frente ao templo, os quatro mastros (elementos importantes em um templo budista) estavam decorados de bandeiras com as cinco cores budistas. O devoto comprava uma bandeira por 40 Yuan (R$10) – ou um punhado delas por 200 Yuan (R$50) – e as entregava a um “monge”. Este, compenetrado, recitava uma prece de olhos fechados e fazia as bandeirinhas subir lentamente até o topo do mastro sagrado.
Até aí tudo bem. Mas poucos minutos depois, quando o turista desaparecia no interior do prédio, o mesmo monge fazia descer as bandeirolas abençoadas, para que estas pudessem ser vendidas a outro freguês.
O melhor ainda estava por vir. Lá de baixo, eu havia notado que a parede central do “Potala” de mentira estava ornada com uma longa “tangka” (uma pintura sagrada tibetana) de uns 12 metros de altura. Mas quando cheguei no templo principal, a pintura havia desaparecido. Esperei para ver como e quando a tangka surgiria novamente. E reapareceu quando uma senhora se ajoelhou na almofada dourada! Mediante a módica soma de 100 Yuan (R$25) a enorme pintura foi levantada por um mecanismo de roldanas e permaneceu enfeitando o pseudo “Potala” enquanto os fiéis oravam fervorosamente.

Eu não podia acreditar na cena. A bandinha de música em Puning já havia beirado o ridículo. Mas essa tangka “pay-per-view” era quase que um insulto a um verdadeiro budista.
Pensando bem, o que nasce torto, cresce torto. Os templos de Chengde foram construídos com fins diplomáticos e não possuíam uma verdadeira alma. Eram um enfeite para impressionar ilustres visitantes. Os imperadores Qing, ao levantar esses templos budistas a mais de dois séculos atrás, criaram, sem saber, a primeira DisneyWorld do planeta. E o embuste continua até hoje.
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17/08/2007 00:00
Chengde – Templos de mentirinha
Não é apenas o imenso parque de 5,6 milhões de metros quadrados, no coração de Chengde, que torna a cidade famosa. Os imperadores manchus da dinastia Qing, com tempo e recursos de sobra, mandaram edificar doze templos em volta dos jardins. Construídos entre 1713 e 1780 e chamados de Templos Exteriores, oito deles sobreviveram e, como o parque, são considerados como Patrimônio Mundial pela UNESCO.
Hoje, o motivo de sua existência é muito mais mover a máquina do turismo interno do que preencher qualquer lacuna espiritual que exista. Verdade que alguns monges budistas ainda vivem no templo Puning, mas o ambiente místico foi, no mínimo, desfigurado pelos tours de turistas chineses. Quem pode fazer alguma oração – até mesmo pedir um melhor salário – quando a jovem guia continua a dar longas explicações por um alto-falante?
Diz a história que os imperadores Qing tiveram uma razão política ao edificarem os principais templos de Chengde. Os grandes senhores manchus resolveram utilizar a arquitetura para impressionar seus vizinhos da Mongólia (ao norte) e do Tibete (ao sul) – ambas nações praticantes do budismo tibetano. Assim, Puning, réplica do monastério tibetano em Samye, foi levantado em 1755 para simbolizar uma paz duradoura entre a dinastia Qing e o Tibete.

Achei a idéia engraçada. Como minha meta sempre foi ir ao Tibete, eu teria, aqui no norte da China, um pequeno aperitivo. O número de ônibus fretados no estacionamento de Puning – mais de vinte – me avisou que eu não estaria sozinho. Fui direto ao templo principal Mahayana pois sabia que, dentro dele, eu encontraria algo valioso: uma estátua de madeira de 27,2 metros. O Buda dos Inúmeros Braços possui, de fato, mais de 12 braços de cada lado e é simplesmente magnífico. É o maior Buda de madeira do mundo, pesando 110 toneladas. Apenas dois probleminhas: a estátua era muito alta e, como não existia recuo, eu não podia ver nada de baixo; além do mais, era proibido fotografá-la.
Notei que existia uma balcão no segundo andar, quase em frente às mãos juntas do Buda. Logo entendi que, mediante o pagamento de 10 Yuan (R$2,50), eu poderia ter acesso ao lugar privilegiado, o que resolveria meus desafios.

Quando estava fotografando o Buda Bodhisattva Avalokitesvara (com a aquiescência da funcionária que me levou até o segundo andar), ouvi uma bandinha que tocava uma melodia de 30 segundos. Poucos minutos mais tarde, o mesmo.
Fui na frente do templo para compreender melhor o que acontecia. O ritual era sempre o mesmo: um visitante chinês mais abastado comprava um pacote de incenso, deixava-o queimando na pira e depois ia se ajoelhar em uma almofada dourada para fazer uma curta prece em frente ao Buda dos Inúmeros Braços. Enquanto ele fazia suas reverências ajoelhado, a banda de oito músicos entoava uma canção inspiradora. O preço do acompanhamento musical variava entre 300 e 1000 Yuan (de R$75 a R$250).
 Enquanto uma senhora reza ajoelhada frente ao Buda dos Inúmeros Braços, a bandinha – quatro músicos de cada lado da banqueta – toca acordes inspiradores
Cai na gargalhada sozinho ao sacar essa maneira criativa de ganhar uma doação! Entretanto, o pior aconteceu no templo vizinho de Putuo Zong Cheng. Mas essa eu conto amanhã...
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16/08/2007 00:56
Chengde – Um Dia no Parque
Depois de visitar Xi’an e Datong, minha ida a Chengde mostrou que, mesmo falando apenas uma dezena de palavras de chinês e reconhecendo somente quatro caracteres, é fácil viajar sozinho na China. Quando se saca como o sistema de transporte funciona, tudo fica simples.
Para aproveitar meus últimos dias em Beijing, fui de trem a essa antiga capital da dinastia Qing. Como as “relíquias” – os chineses adoram usar essa palavra – de Chengde são consideradas pela UNESCO como Patrimônio Mundial achei que eu não estaria dando um tiro no escuro.
Os imperadores manchus Qing devem ter sido grandes curtidores da vida. Embora utilizassem a Cidade Proibida como capital, para evitar o verão abafado de Beijing eles se mudavam para Chengde. Aqui ergueram palácios e templos, bolaram um enorme jardim aos pés de uma montanha e desenharam lagos para refrescar olhos e mentes.
Duzentos anos depois, seus descendentes – bem mais numerosos que os seletos membros da dinastia – desfrutam o bom gosto e o requinte imperial. O jardim não é lugar de passeio de fim-de-semana, ele está repleto diariamente. Apesar da entrada ser o dobro do que se paga para visitar a Grande Muralha (23 reais), de três a seis mil pessoas de toda a China afluem por dia ao local.

Os monumentos que eu havia fotografado anteriormente – templos, estátuas e ruínas – são belíssimos. Mas fotografar gente é uma delícia. Principalmente na China. Se existe um povo que não se incomoda em ser retratado é o chinês. Quase toda família que viaja possui hoje uma câmera digital e eles não perdem nenhuma ocasião para estar na frente da lente; que a máquina seja a deles ou dos outros. O importante é sair bem na foto!
Passei cinco horas ziguezagueando pelo parque. Vi irmãzinhas vestidas de princesas, o menino pescando, a adolescente no celular, o casal de namorados andando de pedalinho, mães dando broncas em filhos e avós sorrindo. Igualzinho a qualquer brasileiro. Também acompanhei uma senhora tendo aula de canto clássico, famílias fazendo piqueniques, pais (de uma mesma empresa) brincando com seus filhos de cabo-de-guerra e crianças dando de comer às renas que vivem no bosque. No ar, como em todo parque, muita alegria.

No final da tarde minhas pernas não agüentavam mais e resolvi passear de barquinho – preferi a versão elétrica, movida a bateria. No meio do lago, com o vozerio das crianças como trilha sonora, parei e refleti sobre onde estava. Minha primeira visita à China havia sido em 1986, quando o país começava seu despertar. Depois de 20 anos, vejo como o salto foi colossal. Muito mais que o nosso. Certos países da América Latina mudaram bem pouco nessas duas ou três décadas. Na África, salvo algumas exceções, nem se fala.
Aqui os exemplos pulsavam na minha frente: a população urbana trabalha, ganha seu dinheirinho, consome comida e roupas e até viaja. Tudo isso movimenta a economia de um país que em alguns meses – quando ultrapassar a Alemanha – terá o terceiro PIB mundial. Lógico, o sistema político autoritário está longe de ser perfeito. Mas o que importa para o cidadão é que sua vida melhorou muito em apenas uma geração. Hoje fico por aqui...
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14/08/2007 13:30
GRANDE MURALHA – A mística de Jiankou
A extensa muralha que pretendia proteger a China de seus invasores do norte teve mais sucesso como empreendimento comercial do que militar. Na verdade, ela não impediu que o território chinês fosse invadido. Por outro lado, o simples fato da muralha ter existido obrigou que centenas de vilarejos fossem criados nos arredores para dar apoio aos soldados.
Outra fantasia é que a muralha é contínua. Longos trechos nas montanhas não foram construídos e, ao mesmo tempo, vários “ramais” foram agregados. Com tudo isso, saber exatamente quantos quilômetros tem a muralha fica bem difícil. O número redondo mais aceitado é 6 mil km. Mas se o governo chinês souber a medida certa, que me avise...
Minha ida à Simatai foi fantástica e fiquei horas babando. Mas, aqui entre nós, eu apenas havia conhecido 0,1% da muralha. Por isso, quis retornar. Consegui me meter num pequeno grupo que iria fazer uma caminhada de 10 km pela muralha. E melhor, por um de seus trechos não reconstruídos!
A camioneta nos levou a um vilarejo que fica aos pés da muralha. Aqui, ao contrário de Simatai, Mutianyu e Badaling, não existe ajuda para subir. Tivemos que contar com as próprias pernas para vencer os 600 metros de desnível: saímos a 450 metros e chegamos a mais de 1.000 de altitude.
Ao atingir o topo, a vista foi de deixar qualquer um lisérgico! Eu não acreditava nos meus olhos. Havia muitíssima vegetação – nos encontrávamos cercados de verde – e, da cresta da montanha, tínhamos um enorme precipício de um lado e um belíssimo vale do outro. A muralha e várias dezenas de torres podiam ser observadas, sempre serpenteando pelo verde. Lá de cima, fiquei um tempão viajando na paisagem, aproveitando também para recuperar as forças depois da subida.

O guia local (do vilarejo) nos lembrou que tínhamos muita muralha pela frente. Nada a ver com o que eu tinha visto anteriormente em Simatai. Lá a muralha não estava totalmente reconstruída e nem maquiada, como em Mutianyu e Badaling. Mas aqui em Jiankou a muralha continuava coberta pela vegetação. Não era possível passear por uma larga avenida – tínhamos apenas a opção de seguir uma estreita trilha que ora atravessava os arbustos, ora ia pela beirada da muralha.
As torres também estavam em seu estado original. Quando possuíam teto, estes eram adornados com muita vegetação. Quando o teto já havia sido assolado, as árvores nasciam dentro do pequeno edifício militar, buscavando luz.

Caminhamos alguns quilômetros descobrindo novos trechos da muralha. A cada torre tínhamos um ângulo diferente, uma foto incomum. Mas todo cuidado era pouco: as pedras estavam soltas e qualquer escorregão poderia ser fatal.
O final da nossa linha foi precisamente em Mutianyu. De repente, nosso grupo de seis pessoas chegou na “última” torre reconstruída desse trecho da muralha. Lá encontramos centenas de pessoas que gritavam, tiravam retratos e corriam de um lado a outro. A mística de estar sozinho na Grande Muralha se esvaeceu por completo, em poucos segundos.
As forças naturais também pareciam estar incomodadas. Quando chegamos na parte “nova” da muralha, o tempo virou. O céu azul se transformou em uma forte e inesperada tempestade. A chuva mandou todos de volta para casa!
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12/08/2007 12:42
GRANDE MURALHA - A Serpente em Simatai
Todas as vezes que passei por Beijing foi a mesma coisa: um tempo abafado, uma neblina encobrindo o sol e muita, muita poluição. Mas logo no dia que escolhemos para visitar a Grande Muralha, o sol saiu e um céu azul maravilhoso – como aquele da Mongólia – apareceu.
Tim Johnson, correspondente dos jornais americanos McClatchy, precisava visitar a Grande Muralha – está produzindo um curto vídeo já em preparação para as Olimpíadas de 2008. Como estou hospedado na casa dele, fui seu companheiro de jornada. Ele escolheu ir a Simatai, um dos trechos mais afastados da muralha, a 120 km de Beijing, onde o número de turistas seria bem menor.
De fato, em plenas férias de verão, ir a Badaling ou a Mutianyu – os dois pontos mais manjados – significaria estar rodeado de muita gente. E pior, de muitos vendedores, todos oferecendo (por R$ 4) a camiseta “I climbed the Great Wall”. Nosso destino, Simatai.
Quando cheguei fiquei desbundado com a vista de baixo. Pelo topo da montanha, um fio branco corria como uma serpente. Torres marcavam os cumes mais elevados. A paisagem era colossal. O único problema: nossa meta estava a, pelo menos, 400 metros acima de nós.

Os chineses sabem aproveitar qualquer ocasião para ganhar dinheiro. Por isso, construíram um teleférico (de pequenas cabinas de dois lugares) para que as energias não sejam gastas para SUBIR na muralha, mas sim para ANDAR por ela. Aceitamos o convite, com sabedoria.
Lá em cima, o espetáculo é outro, ainda mais impactante. O caminho nos levou a 12 torres, num trajeto total de 4 ou 5 km. Cada vez que chegávamos a uma torre, o cenário se modificava e a grande serpente tomava uma forma diferente, com uma perspectiva inédita. Ora tínhamos uma visão de cima, ora de lado, ora de baixo. O contraste do verde da vegetação com o branco das pedras da muralha não podia ser mais fotogênico. Ficamos 4 horas curtindo trecho por trecho.

Na hora de regressar, além do teleférico, tínhamos uma nova opção: descer em tirolesa! Quase me aventuro pelo cabo suspenso, mas preferi baixar a pé, me despedindo pouco a pouco da Grande Muralha.
Mas, mesmo descendo, o sol forte e o longo trajeto, fez com que minha camisa ficasse totalmente molhada de suor. Não tive outra solução: comprei a camiseta que, orgulhosamente, ostenta a frase que subi na Grande Muralha!
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10/08/2007 13:58
DATONG – As Imagens Milenares de Yungang
Quando cheguei ao lugar, o fator “UAU” bateu no topo da escala: uma luz piscou, uma sirene apitou e eu fiquei de queixo caído. Nota 10! Não foi apenas por questões de política interna ou de favoritismo que a UNESCO considerou as Grotas de Yungang como Patrimônio Mundial da Humanidade. Elas são uma maravilha mesmo!
As grutas foram escavadas na encosta do monte Wuzhou. O responsável pela obra de arte foi o monge budista Tan Yao. Ele deu início a esse grandioso empreendimento no ano 453 DC e levou 50 anos para completar o trabalho – com a ajuda de cerca de 40 mil pessoas. Existem hoje mais de 51 mil esculturas em pedra!
Resolvi seguir a ordem da visita sugerida e caminhei diretamente ao extremo leste, para ver o que existia nas grutas 1 e 2. Uma enorme coluna central de pedra, totalmente esculpida, parecia segurar a sala. Nas paredes laterais, havia uma grande quantidade de nichos com estátuas de Buda, muitas ainda com a cor original, vermelha.
Como estava chuviscando, não havia naquele momento muitos visitantes e pude assim saborear os detalhes de cada parede e coluna. Impressionante pensar que, quando os portugueses chegaram ao Brasil em 1500, essas grutas já tinham mil anos de idade!
Mais uma surpresa na terceira caverna ao me deparar com um gigantesco Buda de mais de 10 metros de altura. Fazem 15 séculos que o leve sorriso estampado no rosto da estátua emana uma vibração de paz a todos aqueles que entram no recinto. Uma fábrica de serenidade!
 A gruta 3 é a maior caverna de Yungang, com 25 metros de altura e 50 de largura. Dizem que cerca de 3 mil monges viviam no lugar.
Depois disso, eu estava convencido que não haveria nada de novo. Puro engano. A gruta 6 me esperava com o maior de todas as esculturas de pedra, um Buda dourado de 17 metros de altura. As paredes ao redor também estavam trabalhadas, com figuras meditando, elefantes ou pequenos pagodes.
 A gruta 6 é uma das belas de Yungang
As seguintes grutas deram um show de pintura, com um festival em vermelho, ocre, azul e turquesa. Embora as estátuas fossem menores, a decoração era tão requintada que fiquei concentrado por um bom tempo, tentando descobrir detalhes aqui ou acolá. Em uma parede notei que todas as divindades tinham uma alguma relação comum instrumento musical.
Existem mais de 50 cavernas em Yungang, mas apenas 20 podem ser visitadas. Afinal cheguei às últimas cinco e me deparei com enormes estátuas. O Buda Sakyamuni sentado de 13,7 metros de altura é, ao meu ver, a mais impressionante. Como parte do teto caiu, ele parece estar quase ao relento.
 O fundador da dinastia Wei do Norte, imperador Tuo Ba Gui, estaria representado na figura do grande Buda da gruta 20.
O sol voltou a brilhar e o fluxo de turismo local aumentou. Mas a verdade é que quase todos chineses, ao ficar frente a frente com essa figura tão imponente, ficam constrangidos em falar alto, gritar ou correr – como fazem naturalmente em qualquer lugar turístico. É como se o Buda de pedra estivesse convidando a um momento de reflexão.
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09/08/2007 01:43
RESULTADO DO CONCURSO - Quem são os ganhadores?
Vamos aos resultados do Concurso de Fotografia. Obrigado a todos pela participação. Foi interessante ver que, das 61 fotos, 23 foram consideradas como favoritas.
A foto escolhida pelo Alexandre e pelo Fabio da ÉPOCA foi a do pequeno lama Iderbat nas estupas em Khamaryn (do dia 06/07/07). No email, ele menciona que a foto “tem uma composição bárbara, parece um quadro surrealista do De Chirico”.
 Acontece que a pessoa que acertou – a Juliana Arini – trabalha, por coincidência, como colaboradora na mesma revista. Mesmo que ela não tenha tido nenhuma informação privilegiada, ela não quer aceitar o prêmio, para evitar conflitos de interesses... ou fofocas. Parabéns, Juliana Arini, pelo gesto de desapego, bem budista. Você bem que merecia ganhar esse lenço sagrado...
Assim, resolvi redistribuir os três lenços azuis da Mongólia aos primeiros que escolheram as fotos mais votadas. Se meus cálculos estão corretos, estas foram:
1) Cavalos com poeira, 6 votos, escolhida inicialmente por Daiani Mistieri, de São Paulo.
2) Lama recitando sutras, 5 votos, escolhida por Christina Cavaliere, de Washington.
3) Owoo no alto do Gobi, 4 votos, escolhida pela Nancy.
No final de agosto ou em setembro Daiani, Christina e Nancy receberão seu presente da Mongólia. Valeu a brincadeira.
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| Haroldo Castro |
Haroldo Castro possui três paixões: contar estórias com fotos e crônicas, estar na natureza e viajar intensamente. Criou o conceito de Viajologia, que reconhece a viagem como uma escola dinâmica. Tem mais de 30 anos de experiência como fotógrafo, jornalista, diretor de documentários e estrategista de comunicação. Morou no Brasil, na França e nos Estados Unidos; trabalha em quatro idiomas e conhece mais de 130 países.
> O estrategista da natureza |
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