13/09/2007 19:00
IMPORTANTE: FUTURO DO BLOG + CONCURSO-SORTEIO DE FOTOS

1) BLOG VIAJOLOGIA – Participe com suas fotos e histórias

Se o final da viagem à Ásia poderia representar uma “má notícia”, a boa nova é que, graças a vocês todos, o BLOG VIAJOLOGIA está entre os dois ou três mais visitados da revista ÉPOCA. Calcula-se que o movimento mensal foi entre 20.000 e 30.000 visitantes. Por isso mesmo, todos queremos que o BLOG continue, não é mesmo?

Nessa segunda etapa do BLOG, pretendo criar um espaço onde colocarei informações – uma ou duas vezes por semana – sobre viagens anteriores. Também gostaria de publicar contribuições de outros viajólogos – sempre que o material (texto e fotos) seja de qualidade. Se você gosta de escrever e tem algo interessante para contar (uma página de texto com até 2.500 caracteres, junto com uma ou duas boas fotos), me mande um email.

Se você não registrou ainda o BLOG no RSS – aquele mecanismo que avisa quando tem algum post novo – faça isso logo, para manter contato.

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http://feeds.feedburner.com/viajologia-globolog

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2) CONCURSO-SORTEIO DE FOTOGRAFIA – Ganhe Lenço Sagrado do Tibete

Vamos realizar nosso terceiro Concurso-Sorteio com as fotos da China e do Tibete publicadas nesse blog entre 5 de agosto e 12 de setembro. Dê uma olhada nos posts entre estas datas e:

a) Escolha sua foto preferida
b) Coloque a descrição da foto (seguindo as indicações da lista abaixo) no comentário do post de hoje (não no comentário da foto)
c) Indique seu nome completo e email

Solicitei a meu amigo Luis Pellegrini, diretor da revista PLANETA, que ele escolhesse a foto preferida dele. Se a sua escolha for a mesma que a dele, você ganha. Mas como ele não conseguiu escolher apenas uma foto, teremos dois vencedores: um leva o lenço sagrado de Lhasa e o outro leva uma foto ampliada em papel.

As 72 fotos que estão concorrendo (em ordem de baixo para cima no BLOG) são as seguintes:

CHINA
1) 05 Ago – Xi’an, Guerreiros Terracota, três estátuas
2) 05 Ago – Xi’an, Guerreiros Terracota, homens e cavalos
3) 05 Ago – Xi’an, Guerreiros Terracota, grupo de guerreiros
4) 08 Ago – Datong, Monastério Suspenso (visto de lado)
5) 08 Ago – Datong, Monastério Suspenso (visto de baixo)
6) 08 Ago – Datong, Buda dentro da Pagoda
7) 08 Ago – Datong, Pagoda
8) 10 Ago – Datong, Yungang, Buda de pedra Gruta 20 com gente
9) 10 Ago – Datong, Yungang, Buda dourado Gruta 6
10) 10 Ago – Datong, Yungang, Buda de pedra Gruta 3
11) 12 Ago – Grande Muralha, Três Torres e mata
12) 12 Ago – Grande Muralha, Montanha com varias torres
13) 14 Ago – Grande Muralha, Parte não reconstruída e pessoa caminhando
14) 14 Ago – Grande Muralha, Parte não reconstruída e picos
15) 16 Ago – Chengde, Menino e cervo
16) 16 Ago – Chengde, Palácio e lago
17) 17 Ago – Chengde, Senhora rezando e banda de música
18) 17 Ago – Chengde, Buda de Madeira
19) 17 Ago – Chengde, Templo de Puning
20) 18 Ago – Chengde, Tangka gigante
21) 18 Ago – Chengde, Falso Potala

TIBETE
22) 21 Ago – Lhasa, Potala de lado
23) 21 Ago – Lhasa, Potala de frente
24) 21 Ago – Lhasa, Potala, mulher ao chão rezando
25) 21 Ago – Lhasa, Potala de longe e montanha
26) 22 Ago – Lhasa, Jokhang, Mulher rezando
27) 22 Ago – Lhasa, Jokhang, Roda de preces dourada
28) 22 Ago – Lhasa, Jokhang, Monges rezando
29) 22 Ago – Lhasa, Jokhang, Incensário e senhor jogando plantas
30) 22 Ago – Lhasa, Jokhang, Incensário e multidão
31) 23 Ago – Lhasa, Jokhang, Interior do templo
32) 23 Ago – Lhasa, Jokhang, Entrada do templo
33) 24 Ago – Lhasa, Drepung, Pedras pintadas
34) 24 Ago – Lhasa, Drepung. Bempa e tangkas
35) 24 Ago – Lhasa, Drepung, Bempa estudando
36) 24 Ago – Lhasa, Drepung, vista do monastério
37) 26 Ago – Lhasa, Drepung, Debate: menino de 13 anos
38) 26 Ago – Lhasa, Drepung, Debate: dois dedos apontados
39) 26 Ago – Lhasa, Drepung, Debate: dois monges
40) 26 Ago – Lhasa, Drepung, Debate: vários grupos de monges
41) 28 Ago – Lhasa, Sera, Pedras Pintadas e monges
42) 28 Ago – Lhasa, Sera, Monge beijando pedra
43) 28 Ago – Lhasa, Sera, Monastério e campo ao fundo
44) 28 Ago – Lhasa, Sera, Mulher e Roda de preces, céu azul
45) 28 Ago (2) – Lhasa, Potala, Bandeiras de preces
46) 28 Ago (2) – Lhasa, Potala, Escadaria Oeste
47) 28 Ago (2) – Lhasa, Potala, Luz da manhã em prédio
48) 30 Ago – Na Estrada, Moinho de pedra de “tsampa”
49) 30 Ago – Na Estrada, Moinho para preparar incenso
50) 30 Ago – Na Estrada, Vendedora de incenso
51) 30 Ago – Na Estrada, Vendedora de cogumelos
52) 02 Set – Gyantse, Olhos de Buda
53) 02 Set – Gyantse, Mulher idosa e pintura
54) 02 Set – Gyantse, Mulher orando e estátua
55) 02 Set – Gyantse, Pintura Buda de 42 braços
56) 02 Set – Gyantse, Mulher e pira de manteiga de iaque
57) 02 Set – Gyantse, Estupa e campos de cevada ao fundo
58) 05 Set – Shigatse, Menina e bandeiras de preces
59) 05 Set – Shigatse, Casal jogando “tsampa” ao ar
60) 05 Set – Shigatse, Mulher e Dzong
61) 05 Set – Shigatse, Chaleira de energia solar
62) 05 Set – Shigatse, Vista do Dzong
63) 08 Set – Shigatse, Tashilhunpo, Monge e devotos na fila
64) 08 Set – Shigatse, Tashilhunpo, Monge e templo ao fundo
65) 08 Set – Shigatse, Tashilhunpo, Prédio ocre
66) 11 Set – Shigatse, Tashilhunpo, Monge bebendo chá
67) 11 Set – Shigatse, Tashilhunpo, Monge sorrindo, parede azul
68) 11 Set – Shigatse, Tashilhunpo, Monge sorrindo, pinturas
69) 11 Set – Shigatse, Tashilhunpo, Devoto descendo escada
70) 11 Set – Shigatse, Tashilhunpo, Peregrino ancião
71) 11 Set – Shigatse, Tashilhunpo, Duas crianças rezando
72) 12 Set – Lhasa, Sera, Monja e Pintura

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12/09/2007 18:52

O FUTURO DO TIBETE

Qual será o futuro do Tibete? As opiniões podem até divergir, mas todas possuem um elemento em comum: os chineses não vão devolver facilmente esse tesouro a seus donos. É uma terra fértil e o sub-solo contém fortunas: cobre, zinco e até urânio. As reservas de minério de ferro podem suprir até 20% da necessidade da China.

Mesmo se, desde 1950, mais de um milhão de tibetanos pereceram sob as armas chinesas e centenas de monastérios foram destruídos, o mundo se cala. O que a China oferece – o maior mercado consumidor e o produtor mais barato de bens de consumo – é vital para o capitalismo do século 21.

Mesmo se não existe liberdade de expressão na China e no Tibete e que os direitos humanos sejam violados constantemente, o importante é fazer negócios e ganhar dinheiro, não é mesmo?

“I don’t care about human rights, I just want to make money”, foi o que me disse o passageiro chinês, sentado a meu lado no avião. (Eu não me importo com direitos humanos, eu só quero ganhar dinheiro). Para mim, essa dúzia de palavras explica a atual situação na China – mas também poderia ser reduzida apenas a duas: vale tudo.

Um dos componentes mais fortes da cultura do Tibete é sua religião singular. Não há pessoa que passe por essas terras que não fique encantada com os monastérios e templos budistas. Mesmo sem compreender a complexidade de divindades, ritos ou preceitos, o visitante se emociona com a força da tradição. Maggie, uma chinesa de 30 anos que trabalha numa multinacional em Beijing, confessou que a semana que ela passou no Tibete mudou a vida dela. “Não fico mais de mau humor. Aprendi isso com os tibetanos”.

Quando Mingma e eu saímos de Shigatse rumo a Lhasa, o futuro foi um dos temas da nossa conversa. Ele é pessimista e acha que, quando essa atual geração de devotos desaparecer, a religião também se esvaece. Pensei nas dezenas de velhinhas e velhinhos sorridentes que encontrei em Drepung ou Tashilhunpo. Será que seus filhos e netos seguirão o caminho do Buda? Ou a nova geração passará a adorar outros valores? Daqui a 10 ou 20 anos teremos a resposta a estas perguntas.

Para aqueles que são sonhadores e que acreditam que as tradições de uma cultura devem ser protegidas, eu ofereço essa foto, como que para marcar o final de minha jornada por essas terras mágicas. Para mim, essa imagem representa a possibilidade que a seiva tibetana não venha a fenecer.



Todzi, de 18 anos, é uma monja budista. Ela é tibetana, mas vive em Sichuan, na China. Ela veio ao Tibete fazer uma peregrinação. Eu a encontrei no monastério Sera, perto de Lhasa. O fundo é uma imagem de um Buda pintada na pedra, junto ao mantra “Om Mani Padme Hum”.

Que o sorriso puro e sincero de Todzi seja o símbolo da esperança do povo tibetano!

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11/09/2007 15:20

TIBETE, SHIGATSE – Tashilhunpo, o último monastério

Acabei me empolgando com a história do Panchen Lama e nem consegui contar um pouco do que vi no monastério Tashilhunpo. Por ser um dos mais importantes do Tibete, o movimento era muito intenso. A maioria dos visitantes eram tibetanos de outras regiões do país. Pela fisionomia (e pelas roupas mais modernas), dava para reconhecer os grupos de turistas chineses. Os poucos estrangeiros se perdiam na multidão.










Os prédios eram imponentes. Comparados aos outros monastérios, senti que tudo era maior. O número de monges parecia também ser superior – encontrei dezenas deles caminhando pelas ruelas. E de todas as idades.

Minha primeira providência, seguindo meu instinto de subir no topo de alguma casa para ter uma vista melhor, foi encontrar o caminho para chegar ao teto. Uma escadinha de metal me deu o acesso que eu buscava. Consegui algumas boas fotos do conjunto, mas dessa vez um monge mais atento me viu e mandou eu descer. Não cheguei a tomar uma bronca, mas ele fez uma cara amarrada, repetindo “no, no, no”.

Logo depois do meio-dia, notei uma movimentação no templo principal. Várias dezenas de lamas se juntaram na pracinha em frente, que já estava repleta de devotos tibetanos. Os monges chegaram com seus tradicionais chapéus amarelos – símbolo dessa facção budista. Consegui convencer alguns deles a parar três segundos para que eu pudesse fotografá-los.





As 12:30 h em ponto, aconteceu uma correria e todos entravam no templo para a sessão de cânticos. Como devem ingressar sem sapatos, retiraram suas botas vermelhas na pressa e deixaram todas no saguão de entrada. Era um mar de botas largadas, um espetáculo de cor!

Ali mesmo no saguão, acompanhei a distribuição de chá aos lamas. O cheiro forte de manteiga de iaque e de “tsampa” tomaram conta do lugar. Sentei no solo – como os monges que não tinham entrado no templo – e deixei o tempo passar, curtindo cada cena e movimento. Eu estava consciente que aquela era minha última visita a um monastério tibetano – no dia seguinte eu estaria deixando essa terra tão especial. Senti uma profunda alegria interior, fechei os olhos e agradeci todos os momentos mágicos que havia vivido no Tibete. Levantei a cabeça ao ouvir alguém proferir o mantra “Om Mani Padme Hum”. Estava na hora de começar o longo regresso de volta ao Brasil.

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08/09/2007 00:00
TIBETE, SHIGATSE – Dalai Lamas e Panchen Lamas

Vocês talvez já tenham se indagado porque curto tanto ir aos monastérios no Tibete. A razão é muito simples: é nesse espaço que eu posso encontrar o coração tibetano ainda pujante. Os monastérios são o melhor símbolo da cultura singular dessa nação; é onde a espiritualidade desse povo se manifesta, cheia de vida. Os monastérios são salas de aulas ao ar livre sobre filosofia, historia, simbologia arte ou arquitetura; não apenas religião. E até mesmo política!


As paredes de Tashilhunpo em Shigatse contam séculos de história

Por isso, conhecer o monastério Tashilhunpo em Shigatse era uma prioridade para mim. Mais do que um simples mosteiro, Tashilhunpo é um vilarejo fortificado, local de moradia do Panchen Lama, a segunda autoridade espiritual do Tibete, depois do Dalai Lama. Mas nem tudo é harmonia no Himalaia: Shigatse (com seu Panchen Lama) e Lhasa (com o Dalai Lama) possuem uma longa história de rivalidades...

Vou tentar simplificar um tema excepcionalmente complexo – o poder espiritual no Tibete. Em março de 1959, o atual 14º Dalai Lama, prevendo que poderia cair nas mãos dos chineses, escapou para a Índia, onde vive em exílio até hoje em Dharamsala.

A partir de 1959, o 10º Panchen Lama, que anteriormente era simpatizante do regime chinês, resolveu ter uma atitude mais firme em prol da liberdade tibetana. Em 1964 foi preso e permaneceu 14 anos encarcerado. Faleceu (alguns alegam por envenenamento) em 1989. Um novo Panchen Lama deveria ser encontrado.

Em maio de 1995, o atual 14º Dalai Lama reconheceu o menino de 6 anos Gedun Choekyi Nyima como a 11ª reencarnação do Panchen Lama. O governo de Beijing não aceitou (teria dado um sumiço com o menino) e obrigou os monges de Tashilhunpo a encontrar um outro Panchen Lama. A escolha “chinesa” recaiu sobre o filho de um membro tibetano do Partido Comunista. Hoje, esse jovem de 18 anos estuda em Beijing e está sob controle do governo chinês.

A novela não acabou. Onde está o 11º Panchen Lama reconhecido inicialmente? Será que o 11º Panchen Lama “chinês” agirá apenas como uma marionete do regime? Um futuro problema é que, segundo a tradição tibetana, o Panchen Lama participa da escolha do próximo Dalai Lama, depois que o atual, um bastião dos direitos humanos, falecer. Escolherá um Dalai Lama “pró-China”?

Escrevi demais hoje e nem consegui entrar ainda no monastério de Tashilhunpo... Mas o tema, principalmente para quem pisou nessas terras, é comovente. Para os que estão em outra realidade, como no Brasil, vale a pena checar alguns websites, como o do templo
Tashilhunpo no exílio.


Um monge em Tashilhunpo: onde está o 11º Panchen Lama original?





Devotos budistas fazem fila para entrar em um dos templos de Tashilhunpo

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Haroldo Castro

Haroldo Castro possui três paixões: contar estórias com fotos e crônicas, estar na natureza e viajar intensamente. Criou o conceito de Viajologia, que reconhece a viagem como uma escola dinâmica. Tem mais de 30 anos de experiência como fotógrafo, jornalista, diretor de documentários e estrategista de comunicação. Morou no Brasil, na França e nos Estados Unidos; trabalha em quatro idiomas e conhece mais de 130 países.

> O estrategista da natureza

 
 
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