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24/09/2007 17:30
A partir de hoje começamos uma nova série de posts sobre Viajologia.
O NASCIMENTO DE UMA DIVINDADE
Durante a jornada pela Ásia Central, eu mencionei várias vezes o nome de Omega Megog, minha divindade protetora das viagens. Mas como foi que ela nasceu?
Em 2004, quando eu ainda morava em Washington, Flavia e eu decidimos fugir do frio e tirar duas semanas de férias de verão no Brasil. Estávamos em S. Paulo, na marginal, tentando ir para Guarulhos. Fim de tarde, trânsito seriamente congestionado e chuva forte. Os minutos passavam como segundos. Os acidentes se multiplicavam e em meia hora havíamos rodado um quilômetro. Nessa velocidade, chegaríamos no aeroporto às 2 da madrugada.
As férias de sonho pareciam ruir. Se não conseguíssemos embarcar naquele vôo para Fortaleza, o efeito dominó negativo seria funesto: todos vôos nos próximos três dias estavam lotados. Só um milagre poderia resolver essa crise. Mas quem faria esse milagre? Quem é o santo ou o gênio da Viajologia?
“Precisamos da ajuda de uma divindade”, proclamei de cara vermelha, iluminado pelas luzes de freio dos carros em frente. “E temos que criá-la agora!” Tomado por essa divindade que estava prestes a nascer, pensei em voz alta. “Se vamos conceber uma força, uma energia protetora, ela precisa ser multi-cultural para poder atuar em todos os continentes, em todo o planeta.”
Flavia, já habituada com minhas loucuras e disparates, aceitou o argumento e procurou uma folha de papel e uma caneta. Continuei: “Garuda é a ave mística do hinduísmo e, como é o nome da companhia aérea da Indonésia, Garuda vai nos ajudar com os aviões.
 Descobri no Tibete que Garuda também está presente no cantinho das bandeiras de prece budistas
Já temos a Ásia representada.” O caminhão ao meu lado deslocou-se alguns metros. “Para a Europa”, clamei como se estivesse em um anfiteatro, “é Mercúrio, o mensageiro dos deuses romanos. Na astrologia, representa o movimento – aliás, justamente o que precisamos agora.” No mesmo instante, a faixa da direita, onde nos encontrávamos, começou a se mover.
Depois de escrever os nomes no papel, Flavia interrompeu: “Necessitamos de alguma divindade que abra os caminhos e que goste de aventuras. Ogum tem que estar presente nessa sua salada.” Concordei. Como Ogum tem um pé na África e outro nas Américas, fechamos os quatro continentes principais.
“Agora escolheremos as duas primeiras letras de cada palavra para compor um novo nome, Ga-Me-Og.” Flavia escreveu todas as possibilidades no papel, já com um pouco de dificuldade, pois o carro se movimentava, embora devagar. “Oggame, Gogme, Meoga, Gaome...” Eram nomes complicados, mas o trânsito melhorava e eu conseguia passar a segunda marcha.
Depois de ouvir os dez nomes da lista, surgiram dois fortes candidatos, Megog e Omega. “Haroldo, precisamos pegar esse avião, escolhe logo um dos dois nomes.” Sem pensar muito, anunciei: “Escolho ambos. Esse deus precisa ter nome e sobrenome. Será Omega Megog.”
Coincidência ou não, no mesmo instante que essas duas palavras mágicas foram proferidas juntas, o engarrafamento desapareceu, como se as águas do Mar Vermelho se abrissem à nossa frente. Passei terceira, quarta e quinta e voamos em direção ao terminal, sob a escolta de nosso idolatrado-salve-salve Omega Megog. Com apenas segundos de vida, Omega Megog resolvera o primeiro desafio, liberando nosso caminho.
Faltavam apenas 20 minutos para o vôo decolar quando chegamos no check-in. Mostrei todos os cartões VIP, mas a resposta foi irredutível. “O vôo está sobrevendido e está fechado”, disse a mocinha de vermelho com gel no cabelo. Fechei os olhos e meditei: “Omega Megog, como podes me abandonar, logo agora?”
A mocinha interrompeu minha meditação. “Temos um vôo extra daqui a 30 minutos. Também está lotado, mas vou colocá-los na lista de espera, números 8 e 9. Mas não posso prometer nada.” Voltei a me conectar com Omega Megog e foram mais 15 minutos de aflição.
No final, apenas três passageiros da lista de espera foram chamados. Por alguma razão estranha, fomos o segundo e o terceiro da lista – e não oitavo ou nono. Embarcamos e até mesmo nossas malas chegaram. Milagre, charme ou sorte? Prefiro nem explicar. Para todos efeitos, Omega Megog venceu a parada.
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18/09/2007 22:44
RESULTADO DO SORTEIO DE FOTOS
Quando mostrei as fotos da China e do Tibete ao Luis Pellegrini, diretor da revista PLANETA, ele acabou escolhendo duas – com uma terceira chegando bem perto.
Pellegrini escolheu a primeira foto porque ela “tem uma composição excepcional” e “simboliza o Tibete, com a presença da monja, a pintura de Buda e o mantra Om Mani Padme Hum escrito na pedra”.
Vocês já sabem qual é a foto escolhida, não é? É a da monja Todzi, de 18 anos, que foi ao Tibete fazer uma peregrinação e eu a encontrei no monastério Sera, perto de Lhasa. Tirei seis fotos dela enquanto estava sentada na pedra, em frente à pintura. Na última foto, ela sorriu e fez um movimento para se levantar. As outras fotos anteriores são bonitas, mas essa, por causa do movimento, foi minha preferida da seqüência. E também do Pellegrini.
Na ocasião, uma fotógrafa chinesa, que estava à minha direita, quando viu que eu clicava continuamente, também resolveu fazer o mesmo. O ângulo da foto dela foi diferente, mas bem interessante: a monja está “dentro” da pintura do Buda.
E quem ganhou? A primeira pessoa a escolher a foto foi a carioca Lucia Simas. Outras pessoas também mencionaram a foto como preferida, entretanto a única que seguiu as regras do concurso foi a Lucia, uma amiga de infância. Parabéns!

A segunda foto escolhida pelo Pellegrini também tem monges – aliás, vários. Mais de 15 monges estão ao redor do pequeno lama de 13 anos. Ele, sem sequer notar o fotógrafo em frente a ele, está em pleno movimento, prestes a completar o estalo das mãos e a lançar sua pergunta instigadora a seu “adversário”. Pellegrini, que esteve no Tibete na década dos 80, presenciou um desses debates “peripatéticos”, que acontecem em movimento e com exagero de gestos.
Os monges budistas tibetanos consideraram esse debate quotidiano como um grande exercício mental. É uma ferramenta criativa para que os estudantes possam compreender melhor os ensinamentos. Esse tipo de debate obriga a que mente fique alerta e atenta.
A única que escolheu essa foto foi a brasiliense Lua Lambertini. Lucia ganhou um lenço sagrado do Tibete e a Lua vai receber uma ampliação da foto do menino ágil e peripatético. Parabéns!

Na semana que vem darei início à próxima fase do Blog Viajologia. Quem quiser participar com uma boa história de viagem, entre em contato comigo.
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| Haroldo Castro |
Haroldo Castro possui três paixões: contar estórias com fotos e crônicas, estar na natureza e viajar intensamente. Criou o conceito de Viajologia, que reconhece a viagem como uma escola dinâmica. Tem mais de 30 anos de experiência como fotógrafo, jornalista, diretor de documentários e estrategista de comunicação. Morou no Brasil, na França e nos Estados Unidos; trabalha em quatro idiomas e conhece mais de 130 países.
> O estrategista da natureza |
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