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07/10/2007 00:00
O TESTE DE VIAJOLOGIA
Desde que coloquei o pé na estrada, comecei a entender a viagem como uma escola dinâmica, uma oportunidade única para acumular conhecimento através do contato direto com outras culturas. Passei a assumir que a qualidade e quantidade de viagens estavam relacionadas com uma compreensão mais profunda do nosso planeta.
Durante essas últimas três décadas, confesso que quase tudo que aprendi sobre geografia, história, religião, arte, arqueologia, antropologia, sociologia e qualquer outra “logia”, aprendi viajando. Minhas salas de aulas foram mercados, museus, ruínas, festas populares, templos e a própria natureza. Meus professores foram os milhares de indivíduos que cruzaram meu caminho que, com generosidade e orgulho de sua terra, contaram-me histórias e ensinaram-me a entender melhor o que estava à minha frente, possibilitando um novo olhar.
 O símbolo do “Clube de Viajologia” (em inglês “Center of Travelology”) é a Ravenala madagascariensis, a Palmeira do Viajante
Compreender a viagem como uma ferramenta de aprendizagem é como conceber essa experiência como um estudo na escola ou na faculdade. Consideramos a experiência da viagem comparável a obter um diploma convencional de estudo, seja no ensino básico ou em uma universidade. Partindo do princípio fundamental que viajar é aprender, o Clube de Viajologia confere “diplomas” aos seus estudantes, reconhecendo os diferentes níveis de expertise de cada um.
Assim, lançamos em novembro de 2004 um website para que você também participe desse jogo – o Teste Mundial de Viajologia – marcando quantos países você visitou e que experiências excepcionais você viveu durante suas jornadas.
Em setembro de 2005, conscientes que os brasileiros viajam mais pelo país do que para fora, desenhamos o Teste Brasil.
Como viajólogo – que você tenha visitado apenas três países e esteja no Jardim de Infância ou que tenha passado da marca dos 100 países e possua um Pós-Doutorado – o mais importante é ter esse desejo fanático de querer viajar mais e essa vontade louca de querer conhecer o local visitado com intensidade e intimidade, não se conformando com informações superficiais.
Nada pode ser comparado com o aprendizado no campo, com a vivência real. Você já deve ter visto um monte de fotos maravilhosas de Machu Picchu, mas o fato de estar no Templo das Três Janelas, esperando o sol aparecer atrás da cordilheira, é uma outra sensação. Você já viu leões e rinocerontes no zoológico e nos filmes da National Geographic, mas observar esses animais na savana africana, ao vivo, sentindo a proximidade deles, é outra coisa. O mesmo pode ser dito sobre a festa do Bumba-Meu-Boi no Maranhão, a Aurora Boreal no Ártico, um arco-íris sobre o mar ou a visita a qualquer museu europeu. O que conta mesmo é a experiência pessoal.
 Um arco-íris no sul da Nova Zelândia. A foto pode ser bonita, mas a experiência de ver de verdade é inigualável.
Para aproveitar esse espaço, pretendo promover a disciplina da Viajologia e encorajar os “estudantes” a se aprofundarem nessa nova maneira de viver a viagem. Embarque nessa e se você tem alguma história para contar para nós, mande um email para haroldo@viajologia.com.br
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01/10/2007 17:51
VIAJOLOGIA, A PAIXÃO PELA VIAGEM
Algumas viagens – como essa que acabei de realizar à Ásia Central – mudaram minha vida. Ampliaram minha consciência, criaram novos espaços e me ensinaram lições que não aprenderia em nenhuma sala de aula.
Se você teve a oportunidade de colocar o pé na estrada, a mesma coisa deve ter acontecido com você. Somos da mesma tribo – aquela que reconhece a viagem como uma dádiva enriquecedora e uma maneira de compreender melhor o nosso próprio caminho de vida. Somos os nômades e peregrinos do século 21.
Utilizei o neologismo “viajologia” pela primeira vez em maio de 1987 em uma reportagem publicada em “O Estado de S.Paulo” sobre uma jornada nos Andes. Eu precisava de uma palavra que pudesse dar mais força e peso ao ato de viajar. Desde a década de 60, as crescentes hordas de turismo estavam mais interessadas em atacar lojas ou invadir praias. Mas viajar – sabemos – é muito mais que isso.
 Viajar de camioneta dá uma liberdade especial. Você pode dormir e comer em qualquer lugar. Na foto, a estrada asfaltada rumo ao deserto de Gobi.
Como explicar essa vontade louca e apaixonante de conhecer novos lugares e desbravar horizontes distantes? Eu precisava dar um sentido ritualístico à viagem, sublinhando que saber viajar é uma arte e uma ciência que pode e deve ser desenvolvida. Dessa vontade de diferenciar o profano do sagrado, nasceu a Viajologia.
Viajar como “viajólogo” significa sair com o coração aberto, aguçar nossos sentidos, cheirar outros odores, provar sabores diferentes e perceber luzes e sombras que jamais teríamos notado no nosso quotidiano. Tentar intuir palavras e sons bizarros, sem julgar os costumes ou tradições díspares aos nossos. Uma oportunidade para melhor perceber a diversidade cultural que existe no mundo e reverenciar a natureza. Enfim, entender que o planeta é uma sala de aula gigante.
 Viajar de camelo ou cavalo faz parte de um novo esquema de viagem: vivenciar mais, percorrendo menos quilômetros.
Vamos colocar o pé na estrada? Quando decidi ir para a Mongólia e China, segui uma intuição e as portas foram se abrindo. Portanto, inspire-se, ponha de lado uma grana e parta por esse planeta afora. Você vai aprender de tudo e tenha certeza que esse é o maior investimento que você pode fazer – em você mesmo! Mas se precisar de uma bela desculpa, diga que você está se aprofundando no currículo de uma nova disciplina, a Viajologia...
E para você, o que é a viagem? Coloque seu comentário e compartilhe suas idéias com a tribo de viajantes.
 Viajar de trem tem um encanto particular. Este é o Expresso Trans-Mongólia, que vai de Ulaambaatar a Beijing.
E lembre-se que esse blog é uma janela também para suas histórias. |
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| Haroldo Castro |
Haroldo Castro possui três paixões: contar estórias com fotos e crônicas, estar na natureza e viajar intensamente. Criou o conceito de Viajologia, que reconhece a viagem como uma escola dinâmica. Tem mais de 30 anos de experiência como fotógrafo, jornalista, diretor de documentários e estrategista de comunicação. Morou no Brasil, na França e nos Estados Unidos; trabalha em quatro idiomas e conhece mais de 130 países.
> O estrategista da natureza |
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