03/12/2007 00:00

Filho de peixe, peixinho é! Mikael, meu filho mais jovem, é aquele que tem viajado mais na família. Com apenas 24 anos, ele já conhece 51 países da lista de Viajologia. Em outubro, ele esteve na Malásia, país no sudeste da Ásia, e mandou esse relato para o blog. (Haroldo)

A Maior Flor do Mundo por Mikael Castro

Nas duas semanas que estive na Malásia tive a oportunidade de comer nasi minyak, conhecer as
Torres Gêmeas de Kuala Lampur (até 2004 consideradas as mais altas do mundo), visitar um vilarejo dos nativos Orang Asli, ver a bioluminescência de algas brilhando no mar e dar uma palestra no Simpósio de Turismo em Florestas Tropicais – aliás, este foi o principal motivo da minha viagem.

Mas, na verdade, o acontecimento mais impressionante da minha jornada na Malásia foi conhecer de perto a maior flor do mundo, a Rafflesia. Não é por nada que essa experiência conta “ponto” como um dos 150 Lances de Viajologia.


A Rafflesia pode somente ser encontrada na Malásia e na Indonésia

Minha busca para encontrar essa flor gigante, que pode pesar até 10 quilos, aconteceu no Parque Estadual Royal Belum, localizado no norte da península da Malásia. Com quase 300 mil hectares de floresta tropical, esse parque contém uma biodiversidade riquíssima e se orgulha de possuir uma das maiores populações de elefantes e tigres do país. A única maneira para chegar ao parque é de lancha – isso, depois de ter obtido uma permissão oficial.

Durante o trajeto, que durou apenas uma hora, o nosso guia Shum nos informou que os guarda-parques haviam encontrado uma Rafflesia há poucos dias e que provavelmente ainda estaria florida. Que sorte! Shum indicou que poucos visitantes têm a oportunidade de ver a Rafflesia completamente aberta. De fato, a flor demora nove meses para se desenvolver, porém fica florida apenas seis dias.


Para chegar até a flor, o grupo utilizou cordas para subir a cachoeira

A nossa lancha encostou num barranco e logo começamos nossa caminhada. Depois de uma hora de trilha, onde tivemos que escalar até mesmo uma cachoeira, um cheiro de carne podre nos indicou que estávamos perto de nosso destino. Shum havia explicado que a imensa flor exala um odor intenso para atrair insetos, tão forte que o nome local da flor significa “flor de cadáver”.


O viajólogo Mikael encara a Rafflesia

Finalmente consegui me aproximar da flor vermelha que brotava do chão. Logo perguntei: Onde está a planta dessa imensa flor? E suas folhas? E as raízes? Parecia que muita coisa faltava, pois ela brotava quase que do chão. Nosso amigo biólogo, vendo meu assombro, informou que a Rafflesia não tem folhas ou raízes, pois ela tira seu sustento de uma trepadeira. Fiquei impressionado com a flor e, apesar do cheiro, não queria deixar o lugar! Ficamos conversando em volta da Rafflesia durante um bom tempo.

Shum tirou a fita métrica e declarou “78 centímetros – essa é bem grande.” Fiquei contente por duas razões: primeiro, por ter visto uma flor com um tamanho bem acima da média e, depois, por ter vencido meu pai: a Rafflesia que o Haroldo viu em Sarawak em 2005 era de apenas 58 centímetros, 20 cm a menos que a minha! Não é sempre que posso ultrapassar a marca de um pós-Doutorado em Viajologia!



Mikael Castro é Diretor de Eventos da Sociedade Internacional de Ecoturismo (TIES). Ele nasceu em S. Paulo e mora em Washington, DC, onde se formou em Antropologia na Universidade George Washington. Trabalhou no Orixás Art Hotel (Flecheiras, Ceará) como gerente.

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27/11/2007 20:28

Saímos das praias fluminenses para conhecer castelos ingleses graças ao post da Suzana, Viajóloga Convidada. Ela tem acompanhado o blog Viajologia e as crônicas mensais na revista PLANETA e me enviou este post sobre o interior da Inglaterra. Vale a pena ler. (Haroldo)

Uma outra Inglaterra por Suzana Guimarães

A terra de Sua Majestade é única. Os prédios históricos abundam e qualquer construção com menos de duzentos anos é recente no Reino Unido. No Museu Britânico você pode observar obras de arte de todos os países do mundo, trazidas pelos soberanos britânicos ao longo dos séculos. Até mesmo pedaços inteiros de prédios como o próprio Parthenon de Atenas.

Londres é uma metrópole com mais de sete milhões de pessoas, com uma rede de metrô gigantesca (o primeiro metrô do mundo) e todos os problemas de uma grande cidade. Mesmo assim, é uma experiência intensa de cosmopolitismo explícito. A vida noturna é impressionante – de deixar Manhattam babando de inveja e os restaurantes e bares (perdão, os pubs) abundam.

Mas se você deseja se aprofundar nas entranhas do país, mergulhar na emoção e nas raízes dessa gente ensimesmada (mas cheia de cortesias), o hotspot chama-se Northumberland. É a Terra do Norte, que separa a Inglaterra da Escócia e fica a pouco mais de três horas de Londres.


A Inglaterra é terra de castelos, gramados verdes e céus nublados.

O coração da região é Newcastle Upon Tyne. A cidade tem cerca de 800 mil habitantes e algumas das pontes sobre o rio Tyne são de arquitetura moderníssima, o que dá um toque surrealista numa região de muitos muros medievais.

O castelo que dá nome à cidade foi construído em 1080 pelo filho mais velho de William, o Conquistador, e reconstruído em 1168, pelo rei Henrique II. É a sede de uma das mais antigas sociedades de Estudo da Antiguidade do mundo. Na biblioteca acumulam-se cerca de 30 mil volumes sobre a História do nordeste da Inglaterra.

Ao norte de Newcastle se descortina um cenário de sonho, que só se pode avaliar pela vivência. Consiga um carro e saia fora da cidade. Há pelo menos três pontos obrigatórios: a Muralha de Adriano, o castelo de Bamburgh e o castelo de Alnwick. Cada uma dessas pérolas pede um dia inteiro de visita, pois estão cercadas de belezas variadas, naturais e construídas.

Os três lugares representam um mergulho na História. A Muralha de Adriano data de 122 DC e foi construída pelo imperador romano de mesmo nome, com o objetivo de manter afastados os impossíveis escoceses, que nunca foram dominados pelos romanos.


O castelo de Alnwick tem cerca de mil anos de idade e virou cenário de filmes.

O castelo de Alnwick data do século 11 e há 700 anos é residência do Duque e Duquesa de Northumberland e sua família, os Percy. Na biblioteca e grandes salas do castelo, você pode apreciar obras de pintores como Canaletto e Ticiano e também fotos dos membros da família, colocadas em ricos porta-retratos. O castelo foi usado em filmes recentes, como “Harry Potter” e “Robin Hood, Príncipe dos Ladrões”.

O castelo de Bamburgh é como um arrepio na coluna. A enorme edificação está plantada numa rocha à beira do Mar do Norte. O perfil de seus muros em contra-luz provocam uma experiência física e emocional inesquecível. O castelo sofreu várias modificações ao longo dos tempos. A estrutura atual foi estabelecida no reino de Henrique I, em 1131. É um edifício medieval típico, com interior que guarda aspectos rústicos, misturando luxo e requinte, reflexo dos muitos reis e nobres que viveram, visitaram ou mesmo foram aprisionados em Bamburgh.

Minha visita a Northumberland foi marcada por surpresas que marcaram meu espírito. Passei por caminhos que me levaram a planícies púrpuras e vilas medievais paradas no tempo. Conheci sua gente tranqüila, sem stress. Para encerrar minha viagem, decidi caminhar pelos campos. Inspirada em um vulto no horizonte, me pareceu ver um cavaleiro em brilhante armadura, como um guerreiro retornando de uma longa missão. Por um momento, me senti como ele: eu regressava a um lugar que já conhecera há séculos.


A gaúcha Suzana Guimarães é jornalista especializada em terceiro setor e responsabilidade social corporativa. Tem sobrinhas espalhadas pelo mundo. Foi para Londres visitar uma delas e aproveitou para conhecer o norte da Inglaterra. Em dezembro, vai para Nova Iorque visitar outra. Ela adoraria ter uma sobrinha ou prima na Itália ou no Egito.

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Haroldo Castro

Haroldo Castro possui três paixões: contar estórias com fotos e crônicas, estar na natureza e viajar intensamente. Criou o conceito de Viajologia, que reconhece a viagem como uma escola dinâmica. Tem mais de 30 anos de experiência como fotógrafo, jornalista, diretor de documentários e estrategista de comunicação. Morou no Brasil, na França e nos Estados Unidos; trabalha em quatro idiomas e conhece mais de 130 países.

> O estrategista da natureza

 
 
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