22/02/2008 01:03

Visitinha ao interior da Terra

Penetrar nas entranhas da Terra sempre impressiona. Qualquer caverna mexe com a gente. Talvez tenha a ver com nosso DNA e aquela longínqua lembrança de quando os abrigos naturais representavam nossa mais segura morada. Ao encontrar nessas covas alguma formação rochosa inusitada, nosso fascínio aumenta. Imagine estar na escuridão de uma gruta e descobrir, aqui ou ali, o brilho de um geodo com cristais cintilantes de ametista...

Na mina Wanda, situada a 40 km da cidade argentina de Puerto Iguazu (do outro lado das Cataratas do Iguaçu), experimentei essa sensação de entrar em uma pequena caverna mágica. De fato, ver essas pedras brilhantes incrustadas na rocha negra foi algo fantástico. A visão se torna quase irreal quando a água que escorre pela caverna chega aos cristais.



A companhia de mineração Wanda é dona de 32 hectares de terras e, desde os anos 80, explora um filão de rocha basáltica. Tudo começou há 150 milhões de anos, quando rios de lava brotaram do magma terrestre e surgiram na região que é hoje a província de Missiones na Argentina, os três estados do sul do Brasil e parte do Paraguai e Uruguai. Em alguns lugares, a sílica impregnou o basalto e, sobre pressão e esfriamento lento, transformou-se em geodos de quartzo. Os roxos são as ametistas, os translúcidos são os cristais de rocha e os amarelos os citrinos.

Se a empresa tivesse se limitado ao empreendimento mineiro hoje teria fechado as portas. Graças ao turismo que já existe na região, algumas centenas de curiosos ouvem falar das formações rochosas e arriscam conhecer o lugar. A mineradora emprega apenas alguns funcionários, que continuam a procurar geodos de forma quase que artesanal. De fato, a visita das minas pelos turistas seria incompatível com uma séria exploração industrial.



A empresa não demorou em descobrir que as pessoas saem das minas totalmente fascinadas com os cristais. Por isso, construiu uma loja para atender a demanda. Os homens que caem no feitiço não hesitam em comprar alguma pedra bruta. Já as mulheres, encantadas pelo brilho das ametistas e dos citrinos, querem um novo anel no dedo.


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Haroldo Castro

Haroldo Castro possui três paixões: contar estórias com fotos e crônicas, estar na natureza e viajar intensamente. Criou o conceito de Viajologia, que reconhece a viagem como uma escola dinâmica. Tem mais de 30 anos de experiência como fotógrafo, jornalista, diretor de documentários e estrategista de comunicação. Morou no Brasil, na França e nos Estados Unidos; trabalha em quatro idiomas e conhece mais de 130 países.

> O estrategista da natureza

 
 
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