12/04/2008 00:00

Continuação do post anterior

No Ninho do Tigre (parte 2)


Somos recebidos em Taktsang, o Ninho do Tigre, por um labirinto de bandeiras de prece.


Como acontece na porta de todo templo no Butão, as máquinas fotográficas fazem um retiro forçado. As imagens dos lugares sagrados são reservadas apenas para os olhos. Conformado, fico com as mãos livres. Os dois santuários, com paredes pintadas, símbolos budistas pendurados e odor de incenso e de gordura queimada, demandam uma mudança de astral – nada de pensar que estou ainda no pique de subir montanhas.

É no terceiro templo, precisamente o dedicado a Buda Padmasambava, onde fico estático, surpreso por algo inexplicável. Beleza, magnetismo, profusão de cores? Minha respiração transforma-se, sinto necessidade de sentar. Logo depois, de sossegar e fechar os olhos. Meus companheiros Zsolt e Catarina fazem o mesmo – a vibração de paz parece ser maior do que qualquer outra necessidade.

Não sei quanto tempo passa. Sinto-me diferente, como se tivesse bebido uma infusão de serenidade, compaixão e amor. Ninguém quer emitir nenhum som. Saímos do santuário e descemos descalçados a escada, pisando no chão frio. O vento lá no alto do desfiladeiro começa a ganhar força.


O monastério está a mais de 500 metros acima do nosso ponto de partida e a 900 metros acima do vale.

Exatamente no andar de baixo está a caverna onde Padmasambava – e tantos outros sábios – teriam meditado meses e anos a fio. Penetramos no recinto com o maior respeito. Um monge oferece um fino barbante colorido (chamado sunkay) para ser colocado em volta ao pescoço. É uma forma de receber uma doação para apoiar o templo. Aceito e ganho um amarelo, com um dorje (simboliza o relâmpago) na extremidade. O lama amarra as duas pontas, dá três leves sopros sobre o nó e coloca a benção ao redor da minha cabeça.

Meu compadre Zsolt faz o mesmo. O monge repete o ritual. Quando está no auge – os três sopros sobre o recém criado nó, junto com um manta – seu celular toca. E toca alto, em um ritmo animado, que parece até um rock butanês. Levamos o maior susto. Mas o lama, tranquilo, continua com suas duas tarefas, como se tivesse dois cérebros: fala energeticamente pelo telefone e agora benze o sunkay da Catarina. Ela não acredita na cena.

Foi bom termos tomado um choque e caído das nuvens. Temos vários quilômetros pela frente e a trilha do Ninho do Tigre conta com trechos ingrimes, estreitos e perigosos. É na descida que se toma mais escorregões. O tempo está cada vez mais encoberto e frio. Uma quarta latina junta-se ao grupo. Sabrina, uma chef de cozinha cordon bleu. Ela também havia recebido um barbantinho consagrado pelo monge e pelo celular.

A cena polêmica é motivo de horas de discussões. A benção de um sunkay passou a ser um mero ritual mecânico? O celular melhora as comunicações, mas também traz a banalização? Teria sido um telefonema importante, de um lama superior, que ele não poderia deixar de atender? Estava ele concentrado na benção e no mantra, mesmo se falando por telefone? Deixo as perguntas no ar. E talvez você também queira opinar...


Um jovem monge acompanha nossa saída do Ninho do Tigre.
Com ou sem celular? :)


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10/04/2008 00:00

Enquanto viajo pelo leste da Índia – onde não deverei ter conexões internet – continuo o blog com alguns posts (a cada dois dias) sobre a viagem ao Butão.

No Ninho do Tigre (parte 1)


Paro – O Butão foi palco de incontáveis batalhas. As mais importantes não foram entre humanos que atacavam ou defendiam territórios. As que ficaram na mente do povo e viraram lendas foram as pugnas mágicas entre poderosos gurus e forças espirituais negativas. Uma das mais famosas lutas aconteceu quando Guru Rimpoche, o Buda Padmasambava (aquele que está na Tangkha do Tsechu de Paro – veja post de 22/3 e vídeo de 29/3), voou às costas de uma tigresa para vencer demônios que eram hostis à implantação do budismo no Butão. Ele acabou no topo de um desfiladeiro de 900 metros de altura e lá teria ficado a meditar numa caverna durante três meses. O lugar virou sagrado, transformou-se em um monastério e tomou o nome de Taktsang, Ninho do Tigre.

Lá de baixo, as paredes do mosteiro são como pequenos pontos brancos longínquos. Quando a estradinha termina, nosso guia Chador pergunta se estamos preparados para a caminhada. Eu olho para o lado e vejo alguns cavalos esperando montaria. “Não, nem pensar!” respondo para minha mente preguiçosa. Mesmo se o poderoso Padmasambava chegara lá em cima com a ajuda de uma tigresa, eu usaria minhas próprias pernas.


Visitantes mais idosos usam mulas para evitar o desgaste da subida.

São 8:30 da manhã. O céu está totalmente azul e o ar fresco dá um vigor adicional. Olho o altímetro do relógio: 2.640 metros – 400 metros acima da cidade de Paro. Dou o primeiro passo, sabendo que tenho pelo menos outros 5.000 pela frente. Algo dentro de mim diz que esse passeio não é um treking turístico.

Os primeiros 100 metros de desnível são mais fáceis que os segundos. Mas basta eu ver, entre os galhos, a montanha onde está empoleirado o pequeno monastério para recuperar o fôlego. A monotonia do ziguezague em subida também ajuda a manter a concentração. Numa das paradas, encontro dois monges, com suas roupas vermelhas e alaranjadas, sentados em uma pedra, olhando lá para cima. Cada um carrega nas costas um grande vulto. Nos comunicamos apenas com sorrisos, pois eles não falam inglês. Chador chega e confirma o que eu suspeitara: “Eles vão para Taktsang fazer um retiro de três anos, três meses e três dias”, diz o guia. Meu sorriso amável passa a ser uma reverência de respeito.


Esse monge vai passar mais de três anos no monastério

Estamos na segunda hora de subida quando chegamos a uma cabana. Surpresa: todos os caminhantes são recebidos com uma taça de chá. Coloco mais açúcar do que o normal e sento-me numa cadeira com vista para o monastério. Pela primeira vez, Taktsang parece estar perto. Checo a altitude: já passamos dos 3.000 metros.

Continuamos a ascensão e, após uma curva na trilha que beira o desfiladeiro, o mosteiro aparece à nossa frente. Estamos a 3.145 metros, 505 acima do ponto de partida. Um detalhe: embora estejamos no mesmo nível, um tremendo buraco nos separa do templo. Precisamos descer 100 metros, passar por uma cachoeira e subir outros tantos metros. Na descida, encontro um santuário. Os devotos entram para acender uma pequena lâmpada de óleo. Antes usavam manteiga de iaque, hoje gordura vegetal.


Um cálice de óleo e bandeiras de prece no santuário, antes da chegada ao Ninho do Tigre.

No total, levamos três horas para chegar até o portão do monastério. Se não tivéssemos parado tantas vezes teríamos feito o percurso na metade do tempo. Mas para que ter tanta pressa? O prazer de saborear essa subida com calma rende muito mais.

(continua)

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08/04/2008 00:00

Todos os caminhos levam a Kathmandu

Os cinco dias na capital nepalesa foram intensos: fotografar protestos, conseguir entrevistas, escrever matérias e preparar fotos. Dormi poucas horas por noite e esse mal-estar poderia acabar fragilizando o corpo. Assim, resolvo dar um tempo e passar os dois últimos dias da minha estadia no Nepal em Pokhara, um vilarejo com vista para o Himalaia.

O lugar é uma paraíso e foi um dos redutos do movimento hippie no início dos anos 70, antes que o bando fosse expulso do país (baixo a pressão da Embaixada dos EUA – afinal eles protestavam contra a Guerra do Vietnam). Pokhara está na beira do lago Phewa Tal, o segundo maior do Nepal. Visitei uma pequena ilha onde o templo hinduísta Varahi Mandir, dedicado a Vishnu, recebe devotos constantemente. Um festival de cores.


Os devotos cruzam o lago para fazer seus pedidos no templo do lago.

Mas o quero contar agora para você foi a aventura para sair de Pokhara. Uma daquelas que entra em diário de qualquer viajante.

O vôo de volta, pela empresa Buddha Air, está marcado para às 15:50. Chego uma hora antes para descobrir que o avião está atrasado. Enquanto isso, quatro outras linhas aéreas locais( também com nomes peculiares, como Yeti Airlines, o gigante das neves, ou Sita Air, nome de deusa), mandam gente de volta para Kathmandu. Com um nome tão auspicioso como Buddha Air, será que o agente de viagem escolheu a linha errada para mim?

O avião chega finalmente, mas vem com algum problema. O piloto está agachado, olhando um dos pneus do bi-motor de 20 passageiros. E nosso vôo, agora o último, não é chamado. O tempo passa. Metido, vou à luta e consigo alguma informação: um dos freios tem uma pequena falha e eles precisam trazer uma peça sobressalente e um mecânico da capital para que o avião saia. Ele deve chegar às 17 h.

O tempo passa e o tempo fecha. Uma tempestade ameaça cair sobre nossa cabeça. Agora sim, nenhum outro avião vai poder aterrisar. Não tem jeito mesmo. Só amanhã. Mas no dia seguinte eu tenho um vôo cedo para Delhi e não vou conseguir fazer a conexão. Dos 20 passageiros, sete precisam ir para Kathmandu ainda nessa noite. E resolvemos ir por terra. São 200 km, que podem ser cumpridos em 6 horas. Se tudo der certo...


Depois da tempestade, a visão de um dos nevados. Símbolo de que os caminhão irão se abrir?

Ai começa a novela: conseguir uma van, negociar o preço e depois descobrir que precisamos de uma autorização especial para viajar à noite, porque era transporte publico. Duas horas depois, às 19 h, alugamos uma van de um hotel. A placa verde permite transitar sem problema. Somos sete: uma estudante americana e seu namorado da Noruega, um casal de nepaleses residentes na Austrália e uma inglesa que se apaixonou por um médico nepalês. E eu.

E continua a novela de cada um: a inglesa sofre de diabetes e precisa comer. A nepalesa fala com a mãe pelo celular, que não a deixa viajar de noite devido à instabilidade política e um possível ataque maoísta. Eu, que estava com uma bela diarréia, me entupo de banana prata para não sair cagando durante toda a viagem.

A primeira parte transcorreu bem. Pouco trânsito, muitos buracos, mas rodamos 100 km em três horas. Paramos para jantar, pois o motorista não engolia nada desde às 7 da manhã. Eu comi arroz e lentilhas. Vamos ver como meu estômago reage.


Os viajantes que trocaram o avião pela estrada: no alto, o norueguês, a americana, o doutor nepalês e sua companheira inglesa; em baixo, o casal de nepaleses.

A segunda metade, a partir das 22:30, transforma-se em um caos. Pegamos o tal do “Engarrafamento da Noite”. Os caminhões não podem entrar e sair de Kathmandu durante o dia. A estrada de duas pistas estreitas está congestionada, algumas vezes com três veículos tentando subir ou descer. Caminhões estacionados na estrada complicam a situação. Não dá outra: uma tremenda confusão. Num local, perto de uma ponte em curva, tudo está parado. Há dois caminhões que sobem e, do lado contrário, frente a frente, dois caminhões descem. Atrás de cada um, uma meia dúzia de veículos que seguiram seus líderes cegos. Ninguém reage, como se a solução fosse esperar o dia raiar para entender como resolver a equação.

Preocupado em não perder o avião no dia seguinte, saio da van para organizar o trânsito. Meus companheiros não acreditam na cena! Sem apito, mas com a autoridade concedida pelos cabelos brancos, ordeno, com movimentos enfáticos, que caminhões encontrem seu espaço. Fico em frente a uma jamanta intransigente, que pode estragar meu plano. Sinto-me em Tianamen Square. A boa vontade dos motoristas e a peculiaridade da cena acabam em risadas. Uma das filas, a da subida, consegue, lentamente, se movimentar. Minha van passa por mim e eu entro. Missão cumprida. Nisso, até me esqueço que estava com caganeira.

Alcançamos Kathmandu às 2:30 da madrugada. No total, foram 7:30 horas de viagem. Se Omega Megog não me ajudou tanto com Buddha Air, pelo menos abriu os caminhos para chegar a Kathmandu.

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05/04/2008 01:38

Depois que Ngulchu Tulku foi preso, consegui encontrá-lo alguns dias mais tarde em um café no bairro tibetano de Bouda, em Katmandu. Conversamos bastante e o resultado está em uma
entrevista publicada hoje na revista EPOCA. Como a versão em português está na edição online, coloco no blog a tradução em inglês para que ainda mais pessoas possam saber o que acontece aqui nessa parte do mundo.

Below you will find the English translation of an article that was published today in EPOCA, a prestigious weekly magazine in Brazil. As Tibetan protests make the news around the world, we would like to share this unique interview with you.


Ngulchu Tulku, born again to fight


Kathmandu is going through a tense moment, as the Assembly elections are coming up on April 10. During the past two weeks, Nepal’s capital has also been the stage of a number of protests against Chinese policy in Tibet. Nepal shelters over 20,000 Tibetan refugees. After the peaceful Tibetan insurgence on March 10, 1959, thousands of Tibetan monks and lay people flew from Chinese dictatorship. The first groups reached Nepal, crossing the Himalayas, half a century ago. Around the same period, the Dalai Lama, Tibet spiritual and political leader, also found refuge in India.

After Tibet and Dharamsala (place where the Tibetan government in exile is located), Nepal is the main refuge of this ethnical group. Mountain people used to high altitude valleys, the Tibetans are hard workers and strong followers of their Buddhist religion. When they reached Kathmandu’s valley, they came across the village of Boudha, 3 miles away from the capital. Its giant sanctuary was crowned with four pair of Buddha eyes. For practical or superstitious reason, the refugees settled around the giant stupa.


The Boudha stupa: the four pair of Buddha’s eyes reminds us that we need to be attentive.

Today, the Tibetan neighborhood of Boudha is not an isolated village, like a few decades ago. Hundred of stores offer antiques that crossed the border, religious articles for everyday practices and precious tangkhas, paintings that illustrate Buddhist deities. Around the sanctuary, the movement of pilgrims walking and praying (always clockwise) is almost as intense as around the Johkang, Lhasa’s main temple. For a moment, I thought I had returned to the Tibetan capital. I am able to recognize particular odors, such as the smell of the yak butter and the juniper incense and to identify familiar sounds like the mantra “Om Mani Padme Hum,” the language and the music. Here, I meet again the crowds of monks, with their red or orange robes, walking around the streets or coming in and out of monasteries.

Even if everything around me is a distraction to my eyes, I have a clear goal. I want to meet again Ngulchu Tulku, a 29 years old man, with whom I had started a rather unconventional interview a few days ago. Indeed, our conversation had been interrupted abruptly as we left for the Chinese Consulate, where he and some other 80 demonstrators, went to protest. He was arrested, but, like it happened other previous ten times this past two weeks, he was released a few hours later.


Recently, Ngulchu Tulku was detained a dozen times.

The only information I have is that he is at Café Saturday, in Boudha. I ask a shop owner, make my way around the giant Buddhist construction – the four pair of eyes always following me – and finally climb the five floors up to the loft of a building. I reach one of the westerners selected cafés, which stands face to face with the stupa. I recognize Ngulchu. I am happy to see him smiling, without any wound. I ask if he was beaten when he was arrested. “After having been jailed so many times, the policemen know me. At first they would treat me very badly. Now, not so much. I just got a couple of pinches that left marks”, he says.

Ngulchu is always with his cell ready at his ear. He dresses in western clothes and could be mistaken for any young Asian man, avid for more western consumerism. But his second name – Tulku – has a deeper meaning, connected with the essence of Buddhism. He explains that he is the incarnation of Ngulchu Lobsang Choepel, the 10th Panchen Lama’s tutor. Recognized by the Dalai Lama himself as the reincarnation of the teacher of the second Tibetan spiritual authority (the Panchen Lama), Ngulchu started to tell his story. In 1962, the 10th Panchen Lama presented to Mao Tse Tung his famous “70,000 Characters Petition.” The Chinese dictator became furious with the critics to the Communist Party: the long letter mentioned the Tibetan executions immediately after the insurgence of 1959. “To avoid the Panchen Lama to be killed, his tutor declared that he had been the author of the petition”, said Ngulchu, two days ago. “And the tutor – my previous incarnation – was murdered.”

I need to confirm the story that he told me that day. Is Ngulchu really the reincarnation of such an important wise man in the history of Tibet? His colleagues confirm, he retells the same story. I am convinced that nobody would joke with such serious matters. As he finishes telling his story, he concludes: “It is sad that we are refugees, without a land, without a nationality. On the other hand, as Buddhism was expelled from Tibet, important scholars left to all directions and our philosophy is now everywhere in the world. I am very proud to be Tibetan”, he affirms.


Ngulchu Tulku in Boudha: protected by the giant stupa and Buddha’s wisdom.

I direct our conversation to the topic of the second generation of Tibetans, who – like him – where born in exile. “Our parents did not study in schools. They had to learn English to be able to communicate in India, Nepal and around the world. Our generation was born with more opportunities and we received better education. We are more prepared to explain to the world what happens in Tibet”, he argues.

The protests in Nepal started with the news of the demonstrations in Lhasa. The Chinese version of the facts – that the Tibetan had attacked Chinese civilians – left the habitants of Boudha outraged. A few days later, photos of bodies of monks shot – some of those images probably captured by camouflaged cell phones – reached Kathmandu and triggered the reaction of the community. “This is the greatest Tibetan protest in Nepal in the last five decades. Each Tibetan does his share. While elders and adults pray and recite mantras at the temples or at home, we, the young people, use our energy to call the attention of the world.”

Ngulchu explains that along with ten other activists, he started a hunger strike two weeks ago. “On the sixth day, we received a clear message from our leader, the Dalai Lama: we should not continue with the strike”, he says. “We stopped the hunger strike, but maintained the peaceful demonstrations. We never hurt any police officers, we only defend ourselves”, he affirms. Ngulchu and his companions follow the “Middle Path” pledged by the Dalai Lama who considers that Tibet is part of China, but it should be fully autonomous – which it does not happen. “We do not accept that China continues with its policy of repression, killing our brothers and sisters and then blaming our own people. The world needs to know what happens in Tibet – human rights are violated on a daily basis”, tells Ngulchu. “This is the reason of our protests. And we will go on until our voices are heard: today, tomorrow, after tomorrow, next week.”

“We are not against China development. We want better life conditions for Tibet. We want to be part of this process that will benefit our relatives and our native land. The problem is the abuse of power of the Communist Party”, says Ngulchu. “Also, we are not against the Beijing Olympic Games. This will be a great opportunity for China. But we cannot accept that the games happen in a country that does not respect human life. This is against the Olympic principle. The foreign athletes should reconsider their participation. They will be representing their countries, where they are free, but they will be in a nation where freedom is limited.”


Nyima Dolkar and Ngulchu Tulku discuss the strategy for the next protest.

Nyima Dolkar, a 33 years old woman, comes in limping. When she was arrested for the ninth time the Nepalese police kicked her leg. She also shows the purple marks on her right arm. “This time, I remained unconscious for three or four minutes. But I am ready for another protest today”, she says. Ngulchu and Nyima switch from a broken English to the rapid and energetic Tibetan language. They talk about where would the protest-of-the-day take place. “We might meet in front of the United Nations building or a European country embassy, as the European Community supports Tibet. The French and German authorities are sympathetic to our cause”, says Nyima.

I ask them how they feel as they confront one of the largest powers of the world. “China is very powerful. We know that it will be very difficult to win. But we need to continue to fight for freedom. There is no other solution”, says Ngulchu. “I am certain, that at the end, truth will prevail over lies.”

The cell phone rings again. They need to find other companions somewhere in Boudha. I am impressed by the courage of the group. They know that the Nepalese police – under the pressure of the Chinese Embassy – will repress them, that they will be arrested, and suffer bad treatment. Again and again. But, even like this, obsessed by the search for greater freedom for their land, they will repeat their ritual – almost a religious one – one more time. “I am not afraid. I sacrificed my previous life for my country. Why not this time as well?” concludes Ngulchu Tulku.

Translated by Flavia Castro

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Haroldo Castro

Haroldo Castro possui três paixões: contar estórias com fotos e crônicas, estar na natureza e viajar intensamente. Criou o conceito de Viajologia, que reconhece a viagem como uma escola dinâmica. Tem mais de 30 anos de experiência como fotógrafo, jornalista, diretor de documentários e estrategista de comunicação. Morou no Brasil, na França e nos Estados Unidos; trabalha em quatro idiomas e conhece mais de 130 países.

> O estrategista da natureza

 
 
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